domingo, 8 de agosto de 2004

Maio - Quer dizer, Agosto! Isso, Agosto! - Agosto, o mês dos animes (em 2004) - Dia 7

 

7. Keroppi and Friends

Basicamente, assisti a 1 ep do anime do sapinho Keroppi, dentro da lore de Hello Kitty - na qual, nunca me aprofundei - o único personagem que me aguçava interesse, era o sapinho Keroppi; sempre me perguntei: "por que que quase todo elenco de Hello Kitty faz sucesso no Brasil, e o Keroppi, não?" Sério! isso é algo que eu realmente me questiono, pois se tem uma coisa que esse sapinho tem, é carisma. O design do Keroppi, particularmente, é um dos designs mais bem bonitos dos personagens que compõe o elenco da turminha da Hello Kitty, é uma pena não termos material dele antes de 2010, traduzidos oficialmente para o pt br - aliás, até traduções de fã são complicadas de achar, só achei dois episódios traduzidos pro pt br até agora.

O que salva é o fato de que nos EUA, Keroppi foi dubaldo em inglês, e por um lado isso é muito bom, porque - pelo menos no meu caso - consigo assistir alguns episódios, e por outro lado isso é ruim pra caramba, pois a dublagem dos Estados Unidos é muito ruim, é tão exagerada e sem vida, que, tô pensando em deixar de assistir a versão dos EUA para assistir apenas as japonesas - ai, a pica vai ser tentar adivinhar o que tá acontecendo no desenho, né? Porque eu não entendo patacas de Japonês.

Bem, não irei me aprofundar em fatos curiosos e legais nessa resenha, pois futuramente irei assistir e resenhar outros trabalhos da SANRIO, e ai, nessas outras oportunidades, irei me aprofundar na pesquisa, etc. Aproveito esse texto para demonstrar o meu interesse em descobrir não só sobre o Keroppi, mas sim, descobrir num geral todas as obras assinadas pela SANRIO, afinal, vejo tantos materiais da SANRIO em tantos lugares diferentes, que é impossível não acabar criando uma certa curiosidade em descobrir se os trabalhos feitos por ela são bons mesmo - claro, irei tentar fazer um recorte e focar nas versões japonesas das obras, quero fugir ao máximo de cortes e recortes norte americanos.

A minha relação com animes infantis é muito boa, pois comecei a assistir, a partir desses animes, shonens, shoujos e outros genêros, nunca me chamaram atenção, só iria criar uma vontade de descobrir mais sobre o mundo do anime, quando comecei a ler revistas de anime, mesmo. Pois, se não fosse elas me forçando a ler páginas e mais páginas de texto sobre um Gundam novo ou coisa do tipo, nunca teria parado para assistir Macross, por exemplo - O último anime infantil que vi, foi um VHSRip de Tama e seus amigos, achei um porre diga-se de passagem.

Concluindo, já estou calejado, pode vir, que eu estou aberto para ver o que um desenho feito para crianças de quatro anos pode me oferecer de entretenimento, e pasmem, estou impressionado com esse primeiro episódio; simplesmente é a história de um urso que tem o seu umbigo - sim, o seu umbigo! - roubado por anjos que fazem com que chova na terra, e agora cabe ao Keroppi e seus amigos, ir no céu, para pegar o umbigo roubado, devolver para o urso, para que assim ele possa participar de um campeonato de batucar na barriga e vencer; gente, eu tô perplexo, esperava qualquer coisa, menos isso.

Diante da loucura oferecida pelo anime, me esbaldei, pois, ri bastante, foi uma real boa diversão, não esperava que iria ter um momento tão bom com esse sapinho. Como havia dito, ele já tinha me cativado, o design dele é muito bom, isso fez com que a minha experiência, se tornasse ainda mais divertida mesmo, definitivamente, não é a oitava maravilha do mundo, mas foi um primeiro episódio que me pegou desprevinido, realmente eu não esperava por nada do tipo; animes infantis tem dessas onde de repente eles trabalham com um episódio com uma proposta muito absurda, mas geralmente isso não ocorre no primeiro episódio, sinto que o pessoal começou chutando a armação da barraca - e, sinceramente, isso não foi um problema - bem, vi os outros episódios seguintes do anime bem por cima, então não sei se tem ainda mais loucura me aguardando, ou se só foi nesse primeiro episódio que houve esta aventura improvável, de qualquer forma, já estou vacinado, só vem Keroppi, pode me surpreender novamente, que irei continuar firme e forte, assistindo e criticando.


sábado, 7 de agosto de 2004

Maio - Quer dizer, Agosto! Isso, Agosto! - Agosto, o mês dos animes (em 2004) - Dia 6

 

6. Grappler Baki - O Último Combate 


Spoiler: Não é o último combate de Baki. Esse anime ficou famosinho na internet, imagino que pelo fato dele ter se tornado mais popular aqui no Brasil mesmo, tanto o mangá quanto os outros animes além dessa adaptação. Conheci Baki procurando por mangás que são muito extensos, e acabei tropeçando nessa obra de Keisuke Itagaki, até então, o mangá mais longo era Hajime no Ippo,mas parece que Baki já até passou o mangá de boxe.

Olha, vou ser sincero, não achei muita coisa bacana pra escrever na resenha, nem Wikipédia esse Ova tem, a grande parte dos materiais que achei eram se referindo a ele como "coisa importante que você tem que assistir para entender uma parte de Baki"; não tenho o menor interesse por enquanto assistir ou ler mais material de Baki, particularmente eu gosto mais de acompanhar de forma com que eu sempre esteja sabendo de tudo que ocorre, debatendo sobre determinados assuntos da obra mas sem me envolver muito, porque tem outros animes e mangás mais interessantes do que esse para assistir.

Claro, isso não quer dizer necessariamente que eu não goste de Baki, pelo contrário, adoro a loucura dele - me divirto tanto lendo e escutando os feitos impossíveis dos personagens; é como se em todo momento na obra os personagens parecem estar tentando mostrar o quão incríveis eles são.  É como se eu estivesse assistindo um campeonato de fisiculturismo, onde os competidores posam, e a cada pose diferente eles se mostram ainda mais definidos e, de verdade, é como se a cada frame do anime eu estivesse tomando uma dose de testosterona, cara, essa obra exala testo! 

E eu falo isso da forma boa; é tanta misogenia, machismo, situações sem sentido e muito exageradas, que se alguém me falasse que tem homem que fica de pênis ereto assistindo isso aqui, com certeza acreditaria fielmente na pessoa, pois, isso aqui é a forma mais pura e intensa já retratada de uma extaltação à masculinidade. O tipo de coisa que acontece aqui é o tipo de coisa que eu gostaria de fazer na vida real, com amigos, para a gente rir depois do quão absurdo é - tá essa frase ficou estranha.

Sabe, o OVA tem tantos conceitos idiotas, como, um bunker de lutas ilegais que milhares de pessoas vão para lá para assistir, e, existe uma confiança, porque um dos personagens diz que nenhum daqueles trezentos mil figurantes poderia contar para alguém de fora sobre as lutas ilegais; gente, isso é tão idiota, mas tão funcional! As técnicas exageradas, os ferimentos mortais que por algum motivo as pessoas que sofrem eles conseguem sobreviver passando por uma rápida cirurgia vinte minutos após o ocorrido e os comentários da plateia, etc, tudo é tão besta, mas tão divertido.

Eu me diverti assistindo esse OVA! Fazia tempos que eu não me divertia tanto com uma luta aleatória de anime. Não ligo para os personagens, não ligo para a lore, só quero ver o couro comendo, e me divirto com isso; diferente de Ashita no Joe no qual, cada luta tinha tanta história realmente interessante colocada em cima da ação, que eu realmente me importava com tudo ocorrendo no momento, e a luta se intensificava uns quinhetos por cento, e sério, por mais que Baki não tenha me pegado de forma parecida, eu me diveriti do mesmo jeito, e é isso que importa, que anime bacana! 


sexta-feira, 6 de agosto de 2004

Maio - Quer dizer, Agosto! Isso, Agosto! - Agosto, o mês dos animes (em 2004) - Dia 5

 

5. They Were Eleven!

Eu adoro coincidências! E quando pego pra maratonar animes antigos sempre me esbarro com felizes coincidências, como: Ah, na dublagem em pt br desse anime quem faz a voz de tal personagem é um dublador que você curte, ou, o mesmo produtor de tal anime famosissímo produziu esse anime desconhecido também, ou, o filho daquele mano que você é fã trabalhou nesse filme, e a lista vai, acho que a mais recente, - além da coincidência que irei usar como ponto de partida para crítica desse longa-metragem - é descobrir que existem sites que creditam a direção do RINTARO no filme de Super Grand Prix, diga-se de passagem, RINTARO é um dos meus diretores favoritos de anime, foi ele que dirigiu Metropolis 2001, que é o meu filme de anime favorito da vida. Pois bem, descobrir um fato curioso e novo sobre um anime é sempre bacana, e foi isso que ocorreu comigo quando fui pesquisar sobre a ficha técnica de They Were Eleven!

O filme que é baseado em mais um mangá que saiu do Year 24 Group, escrito e desenhado por Magio Hagio, conta a história de dez participantes de um exame que é tipo um enem do espaço, a diferença é que nesse enem os participantes a qualquer momento podem morrer, já que no exame eles vão ter que passar 53 dias dentro de uma nave abandonada navegando pelo espaço; Fato importante: tem um botão vermelho no centro da nave que apertando ele, o exame é cancelado e todos perdem a chance de passar na prova, esse botão é um botão de desistência, com um trupulante apertando, todo mundo é tirado da nave junto. O conflito da obra é que eles contam o número de tripulantes dentro da nave, e percebem que tem uma pessoa a mais entre os participantes, um décimo primeiro tripulante, e com isso, todo mundo entra em alerta ao saber que existe um penetra, um infiltrado entre eles, logo, a dinâmica do filme se torna um suspense de mistério, onde tá todo mundo desconfiando de todo mundo, afinal qualquer um pode ser o  décimo primeiro tripulante.

Eu assisti esse filme novamente no escuro, então comecei minhas pesquisas em relação ao filme após a minha primeira vez assistindo ele - e caramba! Como eu descobri coisa sobre ele; lá na terra do sol nascente, They Were Eleven! é bem famoso tendo várias adaptações para várias midías diferentes como um filme em live action, rádio-novela e uma peça teatral; Todavia, o que mais me impressionou ao descobrir sobre They Were Eleven! é o seu diretor o incrível Satoshi Dezaki. Satoshi, ele é o irmão mais velho de Osamu Dezaki - Osamu sendo um dos diretores mais influentes na história do anime, aliás, também tenho grande admiração pelo Osamu Dezaki ´- conheci o trabalho do Satoshi Dezaki assistindo o maravilhoso filme: Undersea Super Train: Marine Express - Fato interessante: Por muito tempo na Wikipédia do filme, estava escrito que o diretor do longa foi o Osamu Dezaki e não o Satoshi Dezaki, sim, eles confundiram os irmãos, mas isso já foi corrigido - Marine express é uma grande celebração ao trabalho de Osamu Tezuka, reúnindo grande parte de seu star system para formar um elenco forte de personagens que irão interpretar uma história de mistério e suspense, com direito até assassinatos misteriosos, nesse filme Dezaki mostra total controle de sua direção trabalhando muito bem com a tensão que ronda o filme inteiro, afinal, na estória do filme, há um assassino misterioso que está matando as pessoas dentro do trem submarino  chamado Marine Express, e cabe a um detetive tentar solucionar esse mistério e prender o assassino, o problema é que dentro do trem, todos, são suspeitos - espera, será que já vi isso em algum lugar!?

They Were Eleven! e Undersea Super Train: Marine Express os dois tem maneirismos diferentes e formas de contar história que são até um pouco parecidas, mas a qualidade da direção do Satoshi Dezaki é tão excepcional em ambas as obras que particularente, consegui me divertir vendo ambos os filmes, individualmente, sabe, mesmo sabendo que o mesmo diretor trabalhou nos dois filmes, os momentos que passei com eles foram tão bons que sinceramente não vejo sentido em dizer que um é inferior ao outro por conta de algo repetido, ou alguma fórmula que ele usou em ambos. Aliás, outra conexão com Osamu Tezuka,  esse filme me lembrou um os filmes especiais de Phoenix no caso, é um dos dois OVA que são a sequência de Phoenix Karma Chapter: Phoenix Space Chapter, Achei que esse terceiro filme da triologia de Phoenix tem coisas que lembram muito o filme desta resenha, isso deve ser por conta que ambos são filmes de suspense e ficção científica no espaço, a principal diferença é que um termina de uma forma bem mais maluca do que o outro. 

Agora, vou falar sobre o Frol - ou, a Frol - como dito no anime, Frol é como um anjo que não tem genêro, ela tem traços femininos, mas ela não é uma garota, é como se fosse uma personagem não binária até um certo momento do anime, onde ele toma uma decisão que muda tudo, enfim, assista para saber; acho importante pontuar isso aqui, pois gostei bastante dessa representação, eu queria bater um papo com alguém que seja genêro flúido ou não binário, para ver se a representação do Frol foi respeitosa mesmo, de qualquer forma, é mais uma personagem a frente de seu tempo quebrando os tabus, numa época onde isso era muito incomum na mídia.

Por fim, They Were Eleven! é tão divertido! É tão bacana de se acompanhar, é aquele tipo de material que você pega para assistir e não consegue sair da cadeira porque ficou gruduado alí, preso a obra, aflito do que pode acontecer nos próximos segundos, se envolvendo com determinados personagens, e criando teorias de quem pode ser aquele ponto pivotal que está fazendo com que tudo gire em 180º, que filme divertido, recomendo bastante se você tá procurando uma boa diversão para um fim de tarde; Ah, só passa longe da dublagem em inglês, que essa adaptação não tá com nada, fora isso, boa diversão.

quinta-feira, 5 de agosto de 2004

Maio - Quer dizer, Agosto! Isso, Agosto! - Agosto, o mês dos animes (em 2004) - Dia 4

 

4. Tonari no Totoro

Beleza, mas quem é essa menina no pôster de Meu amigo Totoro? Cara eu adoro o Totoro, o design dele é tão perfeito, é tão funcional. Não tem como, né pessoal? É o icone máximo da Ghibli; acho que esse é um dos filmes do estúdio que mais sei curiosidades aleatórias sobre, curiosidades essas que eu sabia antes até mesmo de assistir o filme. O carinho improvável que cultivo por esse filme surgiu de maneira tão repentina, imagino que isso só é mais uma prova de que o filme de Hayao Miyazaki conseguiu cumprir seu principal obejtivo.


Veja um trecho retirado de um documento da pré produção do longa Meu Amigo Totoro, que contém detalhes da história e expectativas do diretor em relação ao filme: "Meu Amigo Totoro pretende ser um filme feliz e comovente, que permite ao público voltar para casa com uma sensação agradável e sentimentos alegres." Isso me faz refletir ainda mais como o filme conseguiu alcançar  o que estava escrito nas ideias iniciais do projeto, e pasmém, que objetivo subjetivo!

Imagina se propor a trabalhar em algo que o principal seja trazer aos espectadores um sentimento tão particular ao final da obra, convenhamos, não é qualquer um que faz isso; outra coisa interessante de se pontuar, é o fato deste filme ter sido lançado no mesmo dia de lançamento de - pasmém, novamente - Túmulo dos Vagalumes, do incrível Isao Takahata; Aliás, para promover os filmes, o estúdio Ghibli permitiu dobradinhas com os filmes - no caso, uma sessão onde exibiam os dois filmes de uma vez só - um fato interessante, é que em algumas sessões que começavam com Totoro e encerravam com Vagalumes, o público saía antes do término de Túmulo de Vagalumes, agora, em sessões que começavam com Vagalumes e encerravam com Totoro, o público assistia a sessão até o final; esse efeito ocorria porque o filme de Isao Takahata tratava temas bem tensos, tinha uma carga dramática gigantesca e principalmente terminava com uma conclusão que - definitivamente - não era satisfatória, por mais que eu considere a obra de Takahata como a melhor de todo o estúdio Ghibli quiçá a melhor já feita na história da animação japonesa - quer dizer, desconsiderando Metrópolis 2001, por um momento, claro - tenho que admitir que o final de Túmulo dos Vagalumes carrega tanta tristeza e aflição que particularmente este é um dos motivos que me impede de re-assistir o longa de vez em quando, sabe? Nós encerramos a experiência de Vagalumes com tanta melancolia que sinceramente entendo a galera que assistiu Vagalumes pela metade nas sessões que começavam com Totoro, e entendo mais ainda quem assistiu Totoro até o final nas sessões que se iniciaram com Vagalumes - afinal, o objetivo de Totoro é proporcionar  essa experiência de reflexão e frescor ao público, fazendo com que eles saiam da sessão tomados por emoções de alegria e felicidade. - logo, Meu Amigo Totoro age como um contra-ponto do filme que se passa na segunda  guerra, uma forma de revisitar momentos de quando eramos mais novos de uma ótica carregada de idealismos nostálgicos, diferente do filme de Takahata que trazia melancolia e tristeza as lembranças de um tempo passado.

Nostalgia e infância, são dois temas basilares de Meu Amigo Totoro, Miyazaki adora colocar auto referências em suas obras, além de motifs que de vez em quando reaparecem para enfatizar suas mensagens, por exemplo, o uso de crianças; em Viagem de Chihiro me lembro de ter visto em algum local que ele havia dito que a principal inspiração para o filme foi quando foi para uma viagem de férias com sua familía e amigos, para comemorar o aniversário de 10 anos de uma filha de um produtor cujo o nome não é importante, ele pensou em fazer um filme para jovens garotas, mas algo que fosse diferente do tradicional do que estava sendo produzido na época em relação a filmes para garotas; essa gênese de Chihiro é importante para compreender os trabalhos do MIyazaki, pois desde seus primeiros trabalhos ele sempre esteve questionando as "acomodações" que a industria deixava-se acontecer, - inclusive, isso é algo que permeou por muito tempo em sua carreira, afinal Viagem de Chihiro é um filme que foi feito pós ao seu primeiro anuncio de aposentadoria -  dado que assim haveria uma facilitação para a produção e venda de cultura de massa - inclusive Isao Takahata em algumas entrevistas também faz reflexões parecidas com as do Miyazaki.

Em Totoro, ao final do documento de elaboração do projeto, o diretor ressalta a importância de uma música tema, que fosse fácil de ser cantada pelo público infantil, ele diz: "[...] Músicas-tema de animação são frequentemente usadas para promover ídolos pop. Isso pode estar na moda, mas a complexidade de determinadas técnicas usadas pelos cantores e a restrita gama de estilos musicais usados não captura o coração das crianças. O que as crianças desejam são músicas que possam cantar abrindo bem a boca e levantando a voz. Este filme precisa de uma música que possa ser cantada energeticamente por um refrão." - Por isso o refrão do tema de Totoro é tão chiclete, Miyazaki queria algo simples, pois ele sabia exatamente qual público ele queria atingir com essa aventura, e qual sentimento ele queria evocar, ao simplificar a música tema e fazer com que ela seja tão simples que crianças conseguem cantá-la perfeitamente sem a necessidade de técnicas vocais, aproxima os espectadores mais adultos para obra, por exemplo, as mães e pais que levam suas famílias para assistir o filme; para os adultos, Totoro é uma experiência que convida a reflexão dos velhos tempos, e promove sensações que remetem a um passado perdido - o mundo metafórico que o Miyazaki diz que os jovens e adultos tanto anceiam por conseguir acessá-lo, falei um pouco sobre isso na minha review de Super Grand Prix -  já para o público infantil, Totoro é um filme que instiga o pensamento imaginativo e faz com que elas criem interesse em explorar e cultivar a atual natureza que os cerca. 

Por fim, as personagens Satsuki e Mei representam o lado perdido do diretor, elas são a representação de sua infância, claro, elas são tão bem escritas que elas conseguem ultrapassar essas camadas de apenas serem uma representação do Miyazaki, e se tornam além de uma homenagem pessoal aos velhos tempos, como personagens chave para que o próprio público se sintam representados nelas; as cenas delas descobrindo cada local da casa e da vila onde se passa o filme são formas de dinamizar o filme e impulsionar a quailidade narrativa do pacing da obra. Além de que são elas que promovem as maiores reflexões em relação as mensagens que o filme explora.

Existem ainda vários tópicos para se abordar sobre Totoro, por enquanto, pelo fato daqui ser um pequeno registro, não exatamente uma crítica completa, vamos apenas fechar esse texto concluindo, que, Meu Amigo Totoro, é perfeito em seu principal objetivo, e ele só é perfeito por conta de uma direção responsável e bem embazada e construída.  


quarta-feira, 4 de agosto de 2004

Maio - Quer dizer, Agosto! Isso, Agosto! - Agosto, o mês dos animes (em 2004) - Dia 3

 

3. Kaze To Ki No Uta

Uma horinha de um filminho de duas mariquinhas se pegando... Shut up, and pick my money! - Vi o título e uma screenshot do OVA e falei: "Por que não?" e não me arrependo de ter visto esse filme. 

Kaze to ki no Uta é a história de Gilbert, que é um loirinho femboy, e Serge um projeto de nego doce; brincadeiras a parte, me aprofundei em saber mais sobre as origens desse anime, e descobri que ele é a adaptação dos três primeiros volumes do mangá de mesmo nome, que foi escrito e desenhado por Keiko Takemiya. Ao todo a obra original tem  17 volumes, logo, imagino que perdi uma boa parte da obra optando por apenas assistir o OVA; tanto que ainda estou pensando na possibilidade de ler o mangá por inteiro, afinal, curti o que assisti; além de que quero começar  a me aprofundar nos mangás produzidos pelo Year 24 Group - que é um grupo formado por escritoras e desenhistas de mangá shoujo, que foram responsáveis por criarem obras que se aprofundavam em temas complexos, como gênero, sexualidade, sexo, depressão, etc. Importante ressaltar que elas surgiram nos anos 70, onde todos esses temas eram considerados tabu pela sociedade japonesa. Aliás, a própria Keiko Takemiya fazia parte desse grupo.

Uma coisa que me incomodou foi o fato de que os personagens são desenhados de maneira com que pareçam mais jovens do que realmente são, bem, eu dei uma olhada no mangá, e lá a forma como eles são desenhados dão a entender que são bem mais adultos, sinto que no OVA eles se pareciam mais com crianças do que na obra original; essa questão dos personagens parecerem ter menos de dezoito me incomoda apenas pelas cenas de sexo e estupro que o anime tem, olha, no mangá também tem essas cenas, aliás, o mangá é até mais pesado, tratando de assuntos ainda mais complexos, como incesto e suicídio, por exemplo - Aliás, o mangá de Kaze to ki no Uta foi um pioneiro em trazer esse tipo de complexidade narrativa e temática para os mangás shoujo - Importante pontuar que os visuais do Gilbert e do Serge são muito bem trabalhados no anime; em comparação com os figurantes que fazem parte da escola onde se passa o anime é bem perceptível que Gilbert e Serge são os únicos personagens que tem determinados signos visuais que tradicionalmente são atribuídos a character designs femininos, essa questão de "subversão anti binarista" da obra não é por acaso, um dos charmes dos mangás do Year 24 Group é trazer personagens que contém características que sugerem uma androgenia aos mesmos, afinal em uma boa parte dos mangás que saíram desse grupo, o gênero e a sexualidade são debatidos; um exemplo ótimo disso são algumas mulheres de Oniisama e... que são desenhadas com elementos que remetem a características masculinas, como um olho mais cerrado, por exemplo. 

Pesquisando mais sobre essas questões envolvendo designs e etc. descobri que existe uma influência de A Princesa e o Cavaleiro em meio a tudo isso, o mangá de Osamu Tezuka tem uma protagonista que por conta de um acidente em seu nascimento acaba recebendo um coração masculino em seu corpo feminino, então mesmo que no reino onde se passa a história, Safari - a protagonista de A Princesa e o Cavaleiro - seja considerada uma menina, dentro de si, ela é  um menino, preso num corpo de mulher, confuso, não? Um verdadeiro mangá a frente de seu tempo, que influenciou várias artistas a trabalharem de maneira diferenciada em seus personagens de mangá, afinal Tezuka trabalhou na Safari de maneira que trouxesse tanto quanto elementos masculinos quanto femininos - aliás, existe outro mangá shoujo dele que é bem bacana que há uma personagem que é uma mulher que se veste de homem para conseguir entrar numa escola de música se chama Prelúdio do Arco-iris, recomendo dar uma olhada depois, que é bem bacana e até foi publicado em terras túpiniquins.

Me impressionou bastante a qualidade do anime, pois ele é um filme de 87, e dá de dez a zero em muitos filmes que saíram depois dos anos 90, ele é um show de animação, direção, staging, composição, atuação de voz, ritmo e principalmente fotografia, esse filme, assim como outras obras adaptadas do Year 24 Group - como Rosa de Versalhes - tem uma cinematografia impecável.

Sendo sincero, o motivo que me fez assistir esse anime foi porque ele me lembrou bastante visualmente um filme de anime chamado The Door into Summer que está na minha lista negra de animes que nunca consegui assistir porque não há legendas em inglês ou portguês em nenhum canto da internet - Spoiler, durante a minha pesquisa acabei tropeçando num link com um upload com legendas em inglês de The Door into Summer, provavelmente irei assistir ele, me aguardem! - bem, espero algum dia achar alguma sub desse anime, tenho curiosidade em assistir e muita frustração e raiva por não conseguir as legendas, e foi essa raiva e frustração que me impulsionaram a assistir esse anime muito, muito gay - e, diga-se de passagem, eu amei. 



terça-feira, 3 de agosto de 2004

Maio - Quer dizer, Agosto! Isso, Agosto! - Agosto, o mês dos animes (em 2004) - Dia 2

2. Super Mario Shirayuki-hime


Hoje, convido vocês para sair um pouco da normalidade, ir para um local onde o Bowser se chama Koppa, o Toad se chama Knopio e o 2º game da franquia de jogos mais famosa da Nintendo é tão difícil de se jogar que eles preferiram lançar uma versão completamente diferente no resto do mundo - só o nome era o mesmo.

O Mario oriental é diferente do Mario ocidental, isso é fato! O bigodudo desse lado do mundo tem diferenças muito claras de como o encanador é retratado no Japão; os nomes, os jogos, até a forma de agir - só eu que sempre achei que o Mario era mostrado de uma forma bem mais ranzinza e enfezada em versões americanas? Quando pegamos uma versão Nipônica do personagem ele aparenta ser bem mais monodimensional do que realmente ele é, além dele não ser tão rabugento, né. É importante salientar que parte da nossa visão do personagem foi influenciada pelas adaptações americanas do encanador, bem, pelo menos, assisti o desenho do Super mario na minha infância, e a versão que eu assistia, era a versão dos Eua.

Tá, e ai? Onde quero chegar com esse papo? Bem, Mario tem origens Norte Americanas, afinal, sua gênese foi como Jump Man no primeiro jogo do Donkey Kong, esse jogo que tem uma forte inspiração em King Kong. Esses encontros e desencontros de mídias Nipônicas bebendo de inspirações Estadunidenses, são muito interessantes porém me causam bastante reflexão já  que - Hiroshima e Nagazaki, né?  

O pós guerra Japonês é algo que me fascina bastante, afinal até hoje vemos resquícios de atitudes e decisões tomadas antes, durante e depois da guerra. Uma coisa importante de se mencionar é que o imperialismo Nipônico está presente na história da animação Japonesa desde seu nascimento; Momotarō: Umi no Shinpei é um filme de 1945, uma animação de 74 minutos, preto e branco, sendo o primeiro longa metragem animado da história do Japão, em resumo: é um filme propaganda. Não irei me aprofundar nesse filme agora, pois futuramente irei escrever um crítica sobre este filme. O que importa aqui, é como o Japão lidou com o imperialismo Norte Americano; quando o Japão se rendeu, eles tiveram que aceitar os termos impostos na declaração de Potsdam, que era uma declaração que exigia a rendição de todas as forças armadas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial, aliás, a partir dessa declaração que houve a ocupação dos Eua no Japão, o país que antes era tão cruel tão sedento por dominação, estava sendo dominado - além da ocupação, proibiram o Japão de possuir forças armadas. 

Em 51, as forças armadas americanas saíram do território Japonês, isso por conta do Acordo de Paz de São Francisco; como isso tudo que eu escrevi toca na  produção cultural japonesa? Bem, aquilo que era utilizado para fomentar a raiva popular em relação aos outros países, e construir uma imagem de poder absoluto ao redor do Japão, já não era para isso, na verdade é perceptível a influência de outros países e culturas em trabalhos feitos no pós guerra; Koneko No Rakugaki  filme de 57, é um dos primeiros filmes feitos pela Toei Animation, estúdio esse que adaptou muitos contos europeus para anime, aliás, até hoje o mascote do estúdio é o Gato de botas - que não é da cultura japonesa - mas voltando para Koneko no Rakugai, esse curta contém técnicas de animação que lembram muito os clássicos da era de ouro Disney, clássicos esses que foram utilizados como propaganda para os Eua durante a Segunda guerra - aliás, sabiam que os olhos grandes e expressivos que Osamu Tezuka desenhava eram por conta dos olhos grandes e expressivos que foram desenhados em Bambi, filme esse que inspirou Tezuka a escrever Kimba, o Leão Branco

Vários contos de outros países foram adaptados para animes japoneses - um exemplo disso é a série de séries da Nippon Animation: Sekai Meisaku Gekijō, que contava histórias de vários cantos do mundo, com uma estética bem eurocentrica que até hoje cativa diversos espectadores ao redor do mundo, sem falar do sucesso estrondoso que fez e ainda faz no Japão - até então os trabalhos de animação japonesa em sua grande maioria traziam mais influencias japonesas do que de outros países; E é ai onde eu quero chegar, essa é a maior reflexão que tive quando vi um curta animado do Mario sobre a Branca de Neve, até onde o Japão perdeu sua identidade, se é que o país perdeu sua identidade? Será que o Japão se tornou um mix daquilo que ele queria dominar? Será que ele mesmo se dominou? Essas e outras perguntas sempre me cercam quando termino de assistir um anime, quando termino de escutar City Pop e quando jogo Visual Novels.

Encerro este texto, dizendo que esse é só o começo dos meus textos mais reflexivos, isso aqui é só a porta de entrada para futuras discussões que vamos ter aqui nesse espacinho nosso; espero ver vocês nas próximas reviews, para que possam ver me ver escrever os maiores textos para coisas extremamente simples e vazias. 

Uma animação Japonesa sobre um encanador Italiano interpretando um conto Alemão que se popularizou por conta de uma adaptação em longa metragem feita por Norte Americanos? Que piada!

segunda-feira, 2 de agosto de 2004

Maio - Quer dizer, Agosto! Isso, Agosto! - Agosto, o mês dos animes (em 2004)


1 . Super Grand Prix

Vamos começar nossos trabalhos desse ano com este filme, que, diga-se de passagem, é um filme que tenho um pequeno apego emocional, mesmo que nunca eu havia terminado de assistir ele na época em que tive minha primeira oportunidade de saborear esta lambança norte americana de um anime dos anos 70 - Abrindo um rápido parêntese, como você fala a palavra anime? Você é da galera do "Animê" ou "Anime"? Tá ai um bom ponto de partida para uma conversa de bar - Assim, é um monte de episódio picotado e emendado para parecer um filme de uma hora e meia; não irei criticar este formato, pois assisti os dois animes de Ashita No Joe dessa forma, entretanto, no caso do Ashita No Joe, o corte foi feito no Japão mesmo, e é uma picotada muito bem feita, poxa, o primeiro filme tem duas horas; é perceptível que mantiveram pontos importantes da história, e o arco dos personagens tanto do primeiro quanto do segundo são muito bem desenvolvidos e trabalhados, o que é assustador, afinal, picotando o anime, você perde muita coisa que é fulcral para o desenvolvimento da obra; é  inevitável, quando cortam o material, a diegese do mesmo vai ser afetada, mesmo que superficialmente.

E o Super Grand Prix, hein? Foi um bom corte? Bem, Não! A primeira vez que assisti rapidamente esse filme foi quando um amigo de escola me emprestou o dvd deste anime; esse dvd foi distribuído pela Spot Filmes, o que não mudou nada nem na minha experiência com filme e nem vai mudar a sua experiência, caso você se empolgar e acabar assistindo, o que desde já, não recomendo, eu peguei o dvd, assisti ele, e só vi até a metade, quem diria que uns dez anos no futuro eu iria assistir ele novamente, e dessa vez, por completo. 

Gente, eu não curti o filme, ele é arrastado, superficial, expositivo e mal animado, que nem os filmes que dirigi; sendo sincero eu queria ter curtido esse filme, mas ele é tão sem graça, ele literalmente tem tudo o que o Speed Racer tem, como uma cópia mesmo, aliás, Speed Racer é bacana! Só que Super Grand Prix não é Speed Racer; de verdade, se eu queria ver o Speed Racer, eu assitiria Speed Racer, não isso, sabe? Esse é o filme que você assiste quando você quer muito assistir Speed Racer... E pra começo de conversa, quem acorda com uma vontade enorme de assistir Speed Racer? E caso se a pessoa quer realmente assistir Speed Racer, nossa! Hoje em dia é tão mais tranquilo assistir Speed Racer com a internet, é como se a ultilidade de Super Grand Prix tenha se tornado ainda menor. 

Em Super Grand Prix acompanhamos a história de uma personagem que é muito prepotente e impõe suas vontades acima de tudo e todos, colocando em risco a vida e o destino das pessoas ao seu redor, como uma personagem tradicional de shonen mesmo; é importante pontuar e refletir isso, personagens na cultura do anime sempre representam muito mais além da sede que têm por vencer o inimigo da semana. Esses dias em meio as minhas leituras acabei tropeçando no livro Starting Point 1976-1996 Que reúne umas entrevistas do excelente diretor Hayao Miyazaki, e em um dos primeiros textos que abre o livro, ele fala algo que me fez refletir bastante: " [...] Muitas vezes me refiro a esse sentimento como o de anseio por um mundo perdido. É uma sensação de que, embora você possa estar morando atualmente em um mundo de restrições, se você estivesse livre dessas restrições, você seria capaz de fazer todo tipo de coisa. E é esse sentimento, acredito, que torna os adolescentes tão apaixonados por anime." Esse é um pequeno recorte do livro que é apenas um trechinho dos pensamentos do Miyazaki-san - futuramente, posso entrar de cabeça nessas reflexões dele, por enquanto, vamos focar em Super Grand Prix, mesmo - ele diz no livro que parte do amor aos animes e mangás veem desse desejo por se libertar das restrições impostas em uma sociedade, tão controladola como a sociedade Japonesa; principalmente falando de uma sociedade que tem um passado hiper-imperialista e que sofreu um baque muito grande durante a úlitma guerra-mundial, o forte idealismo que permeava dentro das salas de aula deixavam muitos jovens incomodados, a necessidade para buscar a vida como um salaryman assustava o futuro daqueles que fariam o futuro de Nippon, tanto que existem obras feitas nos anos 70 que representam muito bem por uma ótica singular a sensação de estar com uma corda ideológica no pescoço durante esta época, como no filme Limittles Paradise de Hiroshi Harada que apresenta de maneira excepcional o ponto de vista dos alunos em relação ao sistema de educação contraditório do Japão daquela época.

A prepotência do protagonista de Super Grand Prix em tomar atitudes arriscadas com o único intuito de alimentar seu desejo por vencer o inimigo da semana, são bem datadas, e hoje em dia já não funcionam de forma natural, a gente olha para o personagem e percebe que ele é um babaca, mas na época, talvez, os espectadores se identificassem com ele e concordassem com suas loucuras.

A serie não é famosa nem no Japão, nos Eua, é mais um desses animes invisíveis que nem os Estadunidenses sabem que veio para terra do Tio Sam; Aqui no Brasil o filme está eternizado no coração de milhares de Brasileiros que entraram em contato com o longa, porém, onde o anime fez sucesso mesmo, foi na Espanha, onde ele foi exibido por inteiro, sim, eles não exibiram o filme por lá, eles exibiram a serie por completo, o que fez com que hoje em dia se você for num upload do Youtube do anime e ir até a aba de comentários, não importa de o vídeo é de um canal Russo, Japonês ou Canadense, sempre vai ter uma pá de gente da Espanha comentando sobre o anime, e demonstrando uma grande nostalgia pelo mesmo, uma relação parecida com a que o Brasil tem com Sawamu, o Demolidor, anime que fez com que muitos Brasileiros começassem praticar artes marciais.

Trocaram as musicas das BGM originais e trocaram por músicas genéricas, um verdadeiro pecado! Pois, eu estou simplesmente viciado na ending original desse anime, é muito boa cara! Um blues nervoso, me lembrou Sky Restaurant do Hi Fi Set.

Por fim, só recomendo se você quer assistir Speed Racer, mas não tem como assistir Speed Racer - depois, me diga nos comentários quantas vezes o nome Speed Racer foi escrito nesse texto. 


O Fim de Maio - Quer dizer, Agosto! Isso, Agosto! - Agosto, o mês dos animes (em 2004) - Dia 13

12. Hana No Ko Lun Lun "Ah Gabriel, mas que porra de onde que  t ú tira a xereca desses anime velho do caralho que ninguém conhece?...